Perder um dos pais ou um amigo antigo geralmente é perder o passado: a pessoa que morreu pode ser a única testemunha viva dos eventos dourados de muito tempo atrás.
Mas perder um filho é perder o futuro: o que é perdido não é nada menos que o projeto de vida da pessoa - aquilo pelo que a pessoa vive, a maneira pela qual se projeta no futuro, o modo pelo qual a pessoa pode esperar transcender a morte (na verdade, o filho se torna o projeto de imortalidade).
Dessa forma, em linguagem profissional, a perda dos pais é uma "perda de objeto" (o "objeto" sendo a figura que desempenhou um papel instrumental importante na constituição do mundo interno da pessoa), ao passo que a perda do filho é uma "perda de projeto" (a perda do princípio organizador central da vida de alguém, que proporciona não apenas o porquê mas também o como da vida).
Não é difícil entender por que a perda de um filho é, de todas, a mais difícil de suportar, por que muitos pais continuam enlutados passados cinco anos, por que alguns jamais se recuperam.
(Irvin Yalom)
do livro “O Carrasco do Amor”
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